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Taça + LIBRETA DE CATA na mão: a fórmula perfeita para não esquecer

Ana Esponda e Adriana Bidegain nos falam sobre o seu projeto, que será apresentado em sociedade no IX Salão Conrad do Vinho Fino

 

 

 

Bloco de apontes, caderno, ou a simples folha de papel que logo da degustação, com certeza termina perdida, já passou de moda. Agora todo degustador bem treinado pudera contar com um accessório útil, “de consulta” e esteticamente cuidado, acompanhando assim ao produto que se avalia em salões e reuniões de degustação.... sua majestade, o vinho!

 

Trata-se da Libreta de Cata, uma produção editorial de Ana Esponda e Adriana Bidegain, duas estudantes de sommeliers do Colegio Gato Dumas, que ao longo de seu já cursado ano de estudo se questionarem – e na sua vez coincidirem – que não se encontra no mercado uruguaio um formato de livreta na que se podam registrar graficamente os vinhos degustados. Algo que serva para tomar anotações, que no dia de manhã pudera ser usado na hora de falar ou apresentar um determinado rótulo para um cliente, um jornalista, ou amigo.

 

Num formato adequado para ser levado na bolsa das senhoras, ou no bolso das jaquetas dos cavaleiros, a Libreta de Cata, projetada desde suas capas duras com uma linda cor bordeaux, coloca a consideração dos degustadores regulares aos eventos, ou reuniões informais, a possibilidade de ter registrado os vinhos que mais lhe chamarem a atenção, ou porquê não? aqueles que preferiria evitar num próximo evento. Em definitiva, e já que a memória é seletiva, para não esquecer.

 

Para conhecer um pouco mais e saber de que trata-se este empreendimento, Vinho e Bebidas by Daniel Arraspide, tive uma conversa com as produtoras de Libreta de Cata, que consultadas ao respeito nos comentavam....

 

 

Daniel Arraspide: - Como, quando e porquê decidem começar trabalhar neste projeto?

 

- Na realidade o projeto surgiu da necessidade de organizar todos os apontes que tínhamos da hora de degustar os vinhos. Um dia conversando disso, e levando a conta que compartilhávamos a ideia (e a quantidade de papeis), nos decidimos por faze-lo.

 

Quando vamos aos eventos, marcamos o que degustamos nas fichas que te dão, essas onde se detalham os vinhos que se apresentam; mas, se quiser anotar mais algum dado, o espácio não é suficiente. Também anotamos quando vamos visitar uma vinícola, ou quando nos reunimos entre nós, ou simplesmente quando estás na frente de uma garrafa de vinho. Para ter um registro gráfico, decidimos começar levar umas livretas, dessas nas que anotávamos os trabalhos da escola, mas claro, essas anotações depois tínhamos que repassar em limpo, e então se acumulam as livretas e não encontras o tempo para organizar a informação.

 

O que tentamos é fazer as coisas mais simples e com um jeito de dar uma ordem ao assunto, e também encher essa carência, cá não há algo assim; no Colégio manipulamos uma variedade de fichas, e então pegando um pouco de todas elas pensamos em armar algo prático que se transformou nesta Livreta, onde escreves os dados que te interessam desse vinho no momento em que o degustas.”

 

D.A.: - Saindo um pouquinho do assunto da Livreta – mas, seguindo dentro de contexto – de acordo com vossa visão, como é que vocês vêm a realidade do vinho no Uruguai, e o da profissão de sommelier em nosso país?

 

- A realidade do vinho é um pouco complexa. Se fazem muitos bons vinhos no Uruguai, o que não fica claro é quanta gente conhece essa realidade. Vinhos de muito boa qualidade, numa faixa de preços grande, como para que os consumidores possam chegar a eles, e claro, existem esses vinhos que nos surpreendem agradavelmente…. muitas vezes é puro preconceito, há que faze-lo ao lado e experimentar….

 

O mundo do vinho é de uma diversidade muito rica e muito desfrutável, além mais quando nos desafia em cada casta, cada corte…. isso é o que temos que mostrar, tudo o que há mais lá da garrafa; é aí onde nossa profissão encontra sua razão de ser.

 

.… falta como uma puxada, há que fazer-se conhecer mais, há que falar mais do vinho, comunicar o que fazemos e para o que se estuda, brigar por um lugar que ainda há que fazer…. somos novos, a profissão é nova aqui, mas, não acredito que ninguém venha a procurar-nos na nossa casa, há que sair e começar a marcar um território, falar com a gente, contar-lhe que o vinho é muito mais que o resultado do processo de fermentação das uvas, transmitir a paixão que nos provoca e o importante de nosso rol como comunicadores.”

 

D. A.: - Qual é vossa expectativa pessoal respeito à Libreta de Cata, ou que esperam da indústria e do consumidor. Colocado assim: qual esperam seja a primeira repercussão num mercado que ainda está carente em boa parte de educação e conhecimentos para com o vinho, seu consumo e serviço?

 

- Apostamos para que se converta num instrumento útil para aqueles que já conhecem o mundo do vinho e para aqueles que estão entrando no mesmo; acreditamos que pode ser um apoio ou um complemento que os ajude nesse acercamento, nessa descoberta de todo o que pode aportar uma taça de vinho, o apaixonante que pode ser o fato de encontrar aromas numa taça….

 

Imagina agora, com estas temperaturas, em quê pensas?.... numa cerveja bem gelada. Pero quê passa se ajudamos a descobrir que também é possível desfrutar do mesmo jantar com um gostoso e aromático Sauvignon Blanc em sua certa temperatura, ou um espumante gostosamente frio?

 

Apontamos a difundir, a divulgar o consumo do vinho tudo, mas também o nosso, embora os importados estejam mais baratos no supermercado….”

 

D.A.: - Para quê data está programado o lançamento da Libreta de Cata?

 

- A Libreta sai da gráfica na última semana de janeiro, sempre ficam coisas que se coordenam e definem na hora e algumas vezes os prazos se modificam um pouco, mas agora só estamos esperando a saída…. Esperamos ver alguma rolando pelo Salão Internacional do Conrad.”

 

D.A.: - Já falando do preço ao público nos pontos de venda, qual será?

 

- O preço de venda ao público da Libreta de Cata vai ser de $ uruguaios 250 (dois centos e cinquenta pesos uruguaios = 25 reais)”

 

Nas primeiras folhas da Libreta de Cata se pode ler um breve instrutivo sobre os passos a seguir na degustação, a ordem no qual degustar os vinhos, e suas diferentes temperaturas de serviço. E claro, como este mundo do vinho está composto não apenas por consumidores; a indústria e os atores envolvidos também têm o seu destaque nas folhas de publicidade contidas na obra.

 

Uma criação para a qual batemos palmas desde o nosso espaço, e desejamos o maior dos sucessos, no entendido de que tudo aquilo que se faz com o propósito de divulgar e acrescentar a cultura do vinho e sua degustação inteligente é bem-vindo.

 

 

Para entrar em contato com a produção, contratação de publicidade, maior informação e vendas da Libreta de Cata escreva para: This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it

 

Ou através de facebook:

 http://www.facebook.com/profile.php?id=100001095929085&sk=wall

 
Estela de Frutos e Lucindo Copat, eleitos enólogos do ano 2010

Um reconhecimento ao trabalho, a paixão, e dedicação pelo vinho

 

 

 

Apenas algumas horas faz que no Brasil e no Uruguai foi celebrado o “Dia do Enólogo”. É possível que para a maioria dos mortais estas datas passarem despercebidas, e só levou em conta no círculo mais próximo do pessoal envolvido no setor.

 

A sexta-feira, dia 22 de outubro é a data marcada no calendário brasileiro para comemorar – com festa e tudo – e honrar a os técnicos em vitivinicultura, aproveitando na mesma cerimônia especialmente preparada para a ocasião, escolher ao “Enólogo do Ano”. A data é a mesma escolhida para a fundação da ABE Associação Brasileira de Enologia, criada em 1976, há 34 anos.

 

Neste ano (o sétimo que se escolhe ao “Enólogo do Ano”) foi eleito Lucindo Copat, um querido e reconhecido enólogo que pelo seu trabalho na frente da Vinícola Salton – onde trabalha há quase três décadas – tem ganhado muitos elogios, como também medalhas. A escolha é muito democrática e é dada por votação dos associados da ABE.

 

Quatro dias depois, também em Uruguai é celebrado o dia que reconhece a profissão do enólogo, coincidindo com a data fixada faz 46 anos para a fundação da Asociación de Enólogos del Uruguay, um 26 de outubro. No Uruguai a associação que reúne a os técnicos, não costuma escolher um profissional do setor com nomeação para “Enólogo do Ano”.

 

Embora isso não seja feito até agora, por outro lado foi tomada a iniciativa, e assim que neste 2010, uma reconhecida enóloga uruguaia passou a deter o título. Trata-se da Ing. Agr. Estela de Frutos, uma profissional muito querida e respeitada no setor, quem na atualidade ocupa a maior parte de seu tempo no INAVI Instituto Nacional de Vitivinicultura, trabalhando na área de Promoción.

 

A notícia nos causou surpresa, e na verdade, não sabíamos que esse reconhecimento seria dado. Estávamos convidados na festa do quinto aniversário da Revista Shop News, e começou a desfilar personalidades de diferentes áreas, que receberam a distinção de “homens e mulheres do ano” nas mais variadas categorias. Entre eles, Jorge “Toto” Da Silveira, Cristina Moran, Maxi de la Cruz, Manuela Da Silveira, Fernando Vilar, e Alberto Kesman; sem dúvida, profissionais que são referência no que respeita ao jornalismo desportivo, a comunicação, e o espetáculo. No obstante, que um profissional do vinho, estivera na lista dos premiados, foi verdadeiramente para ficar surpreso, uma ação digna de aplausos.

 

Significativamente emocionada, de Frutos agradeceu a os organizadores e diretores da revista e convidou para um “brinde com uma taça de vinho cada dia”, expressão que serviu para algumas piadas por parte daqueles mais próximos, que especularam com a “quantidade ótima de taças” com que fazer o brinde no dia-a-dia. A autora do livro “Conocer para valorar. Primera Guia de Vinos del Uruguay” é uma referência pela sua sensibilidade especial na hora de ministrar aulas, cursos, e palestras, e por seu particular apreço pela “uva bandeira uruguaia” Tannat. Aspectos em destaque da profissional, onde se revela o seu carisma, e especial amor pelo que ela faz.

 

Por outra parte, a eleição por o Lucindo Copat fala certamente do talento e qualidade humana de um profissional comprometido com seu trabalho, graças ao qual é colocado num lugar alto a qualidade do vinho brasileiro. Copat foi formado em Mendoza (Argentina) e tem feito várias especializações na área da enologia em Espanha e Alemanha, além de escrever o livro “La Vitivinicultura Latinoamericana y sus raíces” publicado em Madrid no ano 1992. Com o reconhecimento alcançado por Copat, a Vinícola Salton pode se considerar satisfeita, ao ter recebido quase de maneira pessoal “a cereja do bolo” para encerrar as celebrações de seu primeiro centenário.

 

Duas grandes personalidades do vinho, que em seus países de origem e vivendo a realidade de mercados diferentes, ajudam com seu trabalho, paixão, e dedicação, ao desenvolvimento de uma vitivinicultura cada dia mais próxima ao consumidor. Que bom que isto seja apreciado!

 
Miguel Almeida: o homen de Miolo na Campanha (1)

O enólogo português, grande defensor da vitivinicultura gaúcha 

 

  

 

Miguel Ângelo Vicente Almeida é português, estudo enologia, tem 31 anos e vive no Brasil (ao menos de maneira estável) há um pouco mais de um ano. O conheço há mais ou menos esse mesmo tempo, embora, esse período foi suficiente para conhecer que o Miguel é uma pessoa com “low profile” - a seu dizer - que não gosta das luzes, das câmeras ou os microfones, e que aceitou a minha reportagem só por me considerar um amigo, fato que eu valoro.

 

Um temperado e atípico dia de julho me recebeu no seu escritório para compartilhar as suas vivências e assim me contar respeito a sua formação, sua experiência com o vinho, e sobre o lugar que hoje ocupa na Miolo Wine Group – companhia com a qual começo a se relacionar na vindima de 2004, quando visitou pela primeira vez o Brasil.

 

Faz poucos meses que ele ocupa o cargo de responsável do área de engarrafado na Vinícola Miolo no Vale dos Vinhedos – uma gigante estrutura que tem baixo teto mais de 7 milhões de litros de capacidade entre vinificação e guarda – mas, o Miguel planeja, entre outras coisas, consolidar a sua residência no país verde-amarelo, e talvez, porquê não? formar a sua própria família e enraizar nesta terra que hoje lhe vê como um enólogo de sucesso.

 

Só é suficiente ouvir no jeito no qual ele fala do Brasil e seus vinhos – especialmente dos que são feitos na Campanha Gaúcha – para compreender que o Miguel é um apaixonado com o que faz, e que há razões verdadeiras que ligá-lo nesta terra, distante milhares de quilômetros de seu berço, o Portugal.

 

Sua relação com o mundo do vinho se deu de maneira muito peculiar. Nascido em Dão (Portugal) e logo com apenas três anos muda-se para residir em Douro, já de moço procurando uma carreira que o ajudara para estar em contato com a biologia e a química – dois campos para os que se mostrava com bons olhos – depois de culminar os estudos básicos, a sua orientação foi clara: a enologia era o que ele queria.

 

Depois, já em meio de um vinhedo, o estudo tornou-se em paixão, um fato que é comum com quem “entra” ao mundo do vinho. “ - Porque o tema não é muito cientifico.... pelo contrário, tem muito da parte sensorial, onde podemos canalizar nossas emoções.... O vinho tem de bom tudo esse outro lado que nos faz criar a rotina do dia a dia, e nós entregamos as emoções e as sensações” comenta Miguel, conforme definindo em breves palavras, o seu conceito sobre a profissão de enólogo.

 

No ano 2003 ao final de seu primeiro estágio (como passante, sem compensação econômica) em Baixo Corgo, foi onde nesse primeiro contato com o vinho – embora este trabalho não foi o mais interessante em termos de elaboração e análise sensorial, já que as tarefas foram as mais rudimentares – Miguel saiu com uma boa impressão e isso foi suficiente para avançar mais no tema.

 

A seguinte experiência foi desenvolvida em Alentejo, nessa oportunidade com outras responsabilidades, até vivendo os meses da vindima na própria adega, muito envolvido com todas as etapas da elaboração e cuidado dos vinhos. “- Essa vindima foi a que me deu a certeza de que eu estava no lugar certo, que eu queria fazer isso, entrar na enologia” comenta o Miguel.

 

Tendo como orientador de estágios ao Professor Jorge Ricardo da Silva – um reconhecido expert e científico português da enologia – quem em 2004 iria participar ao igual que o Miguel no Congresso de Vitivinicultura desenvolvido em Bento Gonçalves (Brasil) é que pela primeira vez pisa terras brasileiras.

 

Miguel Almeida: “- Eu não conhecia o Brasil.... só conhecia o que se ouvia falar, as praias, o turístico, produtos do mar....”

 

Daniel Arraspide: “- Cerveja, caipirinha....” (risos)

 

M. A.: “- Então da Silva me falou de que no Brasil se produziam vinhos, que empresas tinham começando com vinhos bastante interessantes. Ele me disse, me fala de duas vinícolas, a Salton e a Miolo, e eu me interessei pelo tema, e perguntou-lhe sim ele podia-me facilitar algum contato. Aí ele falou com o Mauro Zanus (pesquisador de EMBRAPA) e então Zanus falou com o Adriano Miolo, e assim foi que nesse ano de 2004 voltei para fazer a minha primeira vindima no Brasil.”

 

D. A.: “- Mas, nessa oportunidade, já voltou para ficar vivendo no país?”

 

M. A.: “- Não, só fiquei dois meses no ano 2004, aqui mesmo no Vale dos Vinhedos.... Foi um investimento de minha parte, em função da profissionalização. Fruto do mérito pessoal e do trabalho – por acima de todas as coisas, sou uma pessoa muito responsável – então es fruto disso. Assim que durante esses dois meses aqui, que foi uma safra muito boa, um ano muito seco.... recebemos a segunda colheita de Seival, que até o 2006 as uvas foram vinificadas aqui – já que foi só em 2007 que Seival abriu a nova vinícola. Depois volto para o Portugal para fazer a apresentação do meu trabalho (tese final de estudo) e uma vez feita a apresentação, eu sentia como sim não soubessem nada. Gostei dos três estágios que tinha feito, mas achei que não tinha sido suficientes para mim.... ao nível de que, quem trabalha de verdade em uma empresa tem que ter claro, tem que tocar tudo, de cuidar a uva até colocar o vinho na garrafa. Eu sabia o quê? Sabia vinificar, transformar as uvas em vinho.... eu estava na adega e sabia o que fazer, mas dai para diante, eu não tinha a segurança necessária para colocar o vinho na garrafa.”

 

Foi assim que o Miguel, pelo intermédio de um programa aplicado a uma bolsa de estudo desenvolvida pela Universidade onde finalizou os seus estudos, aproveitou a possibilidade de fazer um trabalho remunerado na Alemanha. Este programa, chamado Leonardo da Vinci, permitiu-lhe trabalhar em um laboratório seis meses, onde foi possível alcançar os conhecimentos e ferramentas necessárias para complementar o que ele tinha considerado como uma falta.

 

M. A.: “- Foi uma experiência fantástica com vinhos brancos.... e a nível desse tipo de vinho foi uma grande experiência. Além de encontrar vinhos super equilibrados.... bem aromáticos, bem frescos na boca, pouco alcoólicos, estrutura ácida marcante, e certa mineralidade. Diferentes de vinhos brancos como muitos Chardonnay’s modernos, onde a madeira, o amanteigado, os faz pesados.... onde só falta antocianos para que eles se parecer vinhos tintos.... só lhes falta a cor!”

 

 

NÃO PERCA A SEGUNDA PARTE, VAI CONTINUAR EM PRÓXIMAS EDIÇÕES

 





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